Dando continuidade à série “Militantes que transformam sonhos em realidade”, conversamos com a presidente da UEP.

Vic é presidente da UEP e coordena o Movimento Transformar o Sonho em Realidade em PE

Pernambucana de Garanhuns, Virgínia Barros encabeça uma das principais entidades estudantis do país, a União dos Estudantes de Pernambuco (UEP). Com apenas 25 anos, a estudante de direito e economia teve sua gestão marcada por uma grande vitória do movimento jovem no Estado: a gratuidade da Universidade de Pernambuco, depois de uma luta de mais de duas décadas.

Seu trabalho à frente da UEP, o início no movimento estudantil e os sonhos que a fanática torcedora do Sport Club do Recife alimenta diariamente foram os temas tratados no papo a seguir, que dá continuidade à série de entrevistas realizada pelo Portal UJS com os principais líderes da juventude brasileira.

UJS: Estamos acostumados a te conhecer como Vic, presidente da UEP. Mas nos conte um pouco sobre a Virginia Barros e como conheceu a UJS?

Vic: Que pergunta difícil, rapaz! Não sei como me descrever exatamente, mas, no geral, sou como qualquer jovem da minha terra. Gosto de tomar minha cervejinha, de cinema, de frevo, de estudar, de falar muito (risos) e me considero determinada, bastante curiosa e impaciente. E, claro, sou torcedora do Sport Club do Recife! Sempre gostei de política, meus pais eram ligados à vida política da cidade que nasci e, assim que entrei na universidade, comecei a participar do movimento estudantil. Foi nessa época que tive meu primeiro contato com a UJS. Nossos militantes ajudavam a dirigir o DCE da UFPE, mas só vim a me filiar algum tempo depois, no 14º congresso da UJS, em 2008.

UJS: Você disse que gosta de cinema. Nunca o nordeste foi tão divulgado nas telonas, por que isso tem ocorrido?  

Vic: Não sei se tenho elementos para analisar esse fenômeno em todo o nordeste, mas Pernambuco passou nos últimos anos por um processo de reinvenção cultural muito forte. Fruto do orgulho que o pernambucano sente da sua terra e também da retomada de políticas públicas que têm como centro a valorização cultural da região. Hoje Recife é um dos maiores pólos de produção cinematográfica do Brasil. A UFPE tem um curso de cinema, que nasceu com o REUNI, assim como outras duas faculdades privadas daqui.

UJS: De que filme você gosta mais e por quê?

Vic: De todo tipo de filme, dos besteiróis americanos aos filmes da nouvelle vague do cinema francês. Mas se tivesse que escolher, seriam dois: “Esqueceram de mim” (risos) e “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”. O primeiro pelo que representou na minha infância e o segundo pela sua originalidade e sensibilidade.

UJS: O Estado de Pernambuco é hoje o Estado que mais cresce e podemos dizer que é a nova locomotiva do Brasil. Sua história tem grandes contribuições para o país, das lutas pela independência aos dias de hoje. Como pode sobreviver esse orgulho de ser pernambucano durante tanto tempo em meio a tanta miséria e analfabetismo?

Vic: Acho que você já deu a resposta: nossa vasta história de luta e resistência, cristalizada no espírito do nosso povo. Com a licença poética de Euclides da Cunha (risos), amplio sua análise para dizer que “o nordestino é, antes de tudo, um forte”! É um povo muito caloroso e tem em sua história grandes mobilizações de combate às opressões que sofreu, seja pelo fim da escravidão, na luta pela independência e pela democracia. Soma-se a isso a diversidade cultural da região que se manifesta de diversas maneiras: na culinária, nas roupas, no sotaque, na literatura de cordel, no forró, no frevo, na arquitetura… Desde criança somos, em maior ou menor medida, educados a conhecer e valorizar o folclore local, nossas manifestações culturais. Não sou nenhuma especialista no assunto, mas acho que esses fatores se somam na criação dessa identidade pernambucana tão presente no nosso povo.

UJS: A UEP, entidade que você preside, é protagonista desse estado de espírito do povo de Pernambuco?

Vic: A UEP representa páginas importantes na história de Pernambuco. Ela nasceu na resistência ao Estado Novo e teve uma expressiva participação na luta contra a ditadura militar. Nosso patrono, Cândido Pinto, foi presidente da UEP nessa época e acabou condenado a passar o resto da vida em cadeira de rodas em razão das seqüelas que lhe deixaram as longas sessões de tortura. Reconstruímos a entidade em 2005, num grande congresso em Recife, e desde o primeiro momento ela se firmou como protagonista nas lutas dos movimentos sociais do estado, seja na resistência aos anos finais do governo neoliberal de Jarbas Vasconcelos, seja pautando importantes mudanças no último período, como a gratuidade da Universidade de Pernambuco e a ampliação de direitos para a juventude. Hoje, a UEP é reconhecida do litoral ao Sertão, mobilizando centenas de diretórios acadêmicos e DCEs e ocupando assentos no Conselho Estadual de Juventude e no Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico e Social. Em todos os momentos importantes da vida política do Estado, somos chamados a nos posicionar.

UJS: Qual foi o maior desafio que você enfrentou na sua gestão à frente da UEP?

Vic: Eita, vou falar que só a murrinha agora (risos)! Uma das maiores lutas da história do movimento estudantil nos últimos vinte anos aqui no Estado era a gratuidade da Universidade de Pernambuco. Trata-se da nossa única universidade estadual, que desde a sua origem cobrava mensalidade, indo de encontro aos nossos princípios de universidade pública, gratuita e de qualidade. Muitos estudantes eram obrigados a abandonar o curso em razão dessa cobrança. Aí, desde o primeiro dia de gestão, intensificamos a nossa mobilização pela gratuidade. Fizemos ato, abaixo-assinado, passagens em sala, blitz na Assembléia Legislativa e conseguimos aprovar por unanimidade essa pauta na Conferência Estadual de Educação. Fruto de toda essa agitação e da luta das diversas gerações que lutaram por isso, em Dezembro de 2009 o governador assinou o decreto da gratuidade em um ato lotado de estudantes que agitavam centenas de bandeiras da UNE e da UEP. Foi o momento mais emocionante da gestão, certamente!

Outro grande desafio foi organizar a 1ª Assembléia Geral dos Estudantes do Estado, em conjunto com a UMES/PE. Foi na época do segundo turno das eleições presidenciais. Achamos por bem levar a discussão para o conjunto dos estudantes do estado e organizamos a Assembléia que reuniu cerca de 2 mil estudantes de várias cidades, na simbólica Rua do Lazer da Universidade Católica de Pernambuco, que decidiu pelo apoio à Dilma Rousseff para presidente do Brasil.

Enfim, eu poderia falar várias outras coisas. Fizemos diversas mobilizações de massa em várias cidades de todas as regiões do estado. Foram milhares e milhares de estudantes na rua lutando pelo fundo social do pré-sal, por 10% do PIB para educação e pelas pautas locais de várias faculdades. Em 2005 iniciamos a gestão de reconstrução da UEP, em 2007 a de consolidação. Acho que essa conseguiu cumprir o desafio de massificar as ações da entidade.

UJS: Para fecharmos com chave de ouro, nos diga dois sonhos que gostaria de tornar realidade, um na política, outro na vida pessoal… 

Vic: Acho que os dois sonhos se confundem, pois não consigo dissociar minha vida pessoal da política. No campo mais geral, sonho junto com meus companheiros da UJS por uma sociedade sem opressões, que traz na pauta mais imediata a luta por reformas democráticas para o Brasil. No campo pessoal, quero sempre contribuir com o crescimento e objetivos do meu partido, o PCdoB. Gosto muito do debate educacional, foi isso que me puxou para o movimento estudantil, e tenho vontade de seguir carreira acadêmica em minha universidade, a UFPE. Fora isso, os sonhos de sempre: viajar o mundo inteiro, ter uma casa na praia, filhos e ver o Sport conquistar cada vez mais novos títulos!

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Sobre Movimento Transformar o Sonho em Realidade

Movimento Transformar o Sonho em Realidade para o 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes. www.twitter.com/sonhorealidade
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